Senadores solicitam ao STF redistribuição da relatoria da CPMI do Master

Senadores solicitam suspensão de ministro do STF
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta quinta-feira (7) que, junto ao colega Eduardo Girão (Novo-CE), pediu a suspensão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é que o magistrado analise um mandado de segurança relacionado à instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Os parlamentares justificaram o pedido devido à “relação íntima e notória” do ministro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Ciro Nogueira foi um dos alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master. De acordo com a decisão do STF que autorizou a operação, o senador teria atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro em troca de “vantagens econômicas indevidas”.
Em uma entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, Ciro Nogueira negou qualquer ligação com Vorcaro, afirmando que sua relação com banqueiros é comum entre políticos em Brasília. Ele também comentou sobre uma emenda que apresentou para aumentar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão, garantindo que a medida não beneficiaria o Banco Master.
Criação da CPMI do Banco Master
O requerimento para a criação da CPMI do Banco Master, de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), foi protocolado no Congresso Nacional em 3 de fevereiro, com o apoio de 238 deputados e 42 senadores. No entanto, o nome de Ciro Nogueira não consta na lista de apoiadores, segundo apuração do colunista Bruno Pinheiro.
Para que a CPMI seja instalada, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), precisa ler o requerimento em uma sessão conjunta do Congresso. Como o colegiado ainda não foi criado, os senadores Eduardo Girão, Alessandro Vieira e Plínio Valério (PSDB-AM) protocolaram um mandado de segurança no STF.
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Contexto do caso Banco Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de várias instituições, incluindo o Banco Master S/A e o Banco Master de Investimentos S/A. Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, também teve seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado pela Operação Compliance Zero, que teve início com a primeira fase em 18 de novembro, visando combater a emissão de títulos de crédito falsos. O banqueiro Vorcaro foi preso um dia antes da operação, mas liberado posteriormente com o uso de tornozeleira eletrônica. Ele foi detido novamente em 4 de março.
As investigações revelaram que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidades muito acima do mercado, assumindo riscos excessivos e inflando artificialmente seu balanço financeiro, enquanto sua liquidez se deteriorava. Os casos do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo fraudes e tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a Polícia Federal.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimentos e Banco Letsbank, totalizando R$ 40,6 bilhões em garantias a serem pagos.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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