Análise: Decreto sobre big techs gera críticas de juristas e fortalece governo

Caio Junqueira destaca que ANPD e AGU ampliam seus poderes com os decretos, enquanto empresas de tecnologia enfrentam escassas opções para contestar as decisões…

26/05/2026 10:20

2 min

Análise: Decreto sobre big techs gera críticas de juristas e fortalece governo
(Imagem de reprodução da internet).

Críticas aos Decretos do Marco Civil da Internet

Os recentes decretos do governo federal que atualizam o Marco Civil da Internet têm gerado controvérsias entre juristas. As críticas se concentram no fortalecimento das estruturas governamentais, especialmente no que diz respeito à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A ANPD, responsável pela fiscalização das novas medidas, é alvo de questionamentos devido à sua composição. Atualmente, das cinco cadeiras disponíveis, uma está vaga e três foram indicadas por órgãos ligados ao governo, como o Ministério da Justiça e a SECOM.

Implicações da Fiscalização Governamental

Sidônio Palmeira, que lidera a SECOM e também está à frente da pré-campanha do presidente Lula, levanta preocupações sobre a imparcialidade da ANPD. A crítica se intensifica com o artigo 16 dos decretos, que amplia o papel da Advocacia-Geral da União em casos de desinformação, concentrando assim o poder de fiscalização em entidades diretamente ligadas ao Executivo.

Essa concentração de poder levanta questões sobre a autonomia da fiscalização e a possibilidade de viés político nas decisões da ANPD e da Advocacia-Geral da União.

Desdobramentos no Judiciário

Após a publicação dos decretos, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, colocou em pauta para julgamento virtual os embargos de declaração relacionados ao tema, que estavam paralisados há meses. Essa movimentação sugere uma possível articulação entre o governo e o STF, segundo analistas.

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Desafios para as Empresas de Tecnologia

As grandes empresas de tecnologia enfrentam um cenário desafiador, uma vez que o entendimento predominante no STF parece estar alinhado com as diretrizes do governo. A única alternativa viável para contestar os decretos seria por meio do Congresso Nacional, onde existem 22 Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) em tramitação para revogar as medidas.

No entanto, a aprovação desses projetos exigiria uma mobilização significativa, algo que é considerado raro no atual cenário político.

Considerações Finais

A situação em torno dos decretos do Marco Civil da Internet reflete um momento crítico na relação entre o governo, a fiscalização e as grandes empresas de tecnologia. As implicações dessas mudanças ainda estão sendo debatidas, e o futuro da regulação digital no Brasil permanece incerto.

Fonte por: CNN Brasil

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