Exportação de carne bovina enfrenta desafio na China, afirma ABIEC

Roberto Perosa, presidente da entidade, afirma que salvaguardas chinesas terão duração de três anos, exigindo ajustes na produção e empregos dos frigoríficos.

16/07/2026 13:30

3 min

Vitrine de um açougue de São Paulo
Vitrine de um açougue de São Paulo

Carne bovina brasileira enfrenta desafios no mercado chinês

A carne bovina brasileira não foi afetada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, mas o setor enfrenta pressões no seu principal mercado, a China. A análise foi feita pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, durante o lançamento da 11ª edição do Beef Report em Brasília.

Impacto das tarifas e salvaguardas chinesas

Perosa destacou que, apesar de a carne brasileira não ter recebido tarifas dos EUA, a entidade está atenta às negociações entre os dois países. Ele afirmou que, até o momento, não há impacto direto sobre o produto, mas a situação pode mudar conforme as ações se desenrolam.

A principal preocupação do setor está nas salvaguardas impostas pela China, que terão validade de três anos. Perosa explicou que essa medida é unilateral e não cabe à indústria brasileira encontrar uma solução, embora o governo tenha tentado negociar.

Estratégias das empresas diante da crise

Os frigoríficos já sentem os efeitos das salvaguardas, uma vez que a exportação é crucial para a formação de preços e margens em toda a cadeia. Cada empresa deve adotar sua própria estratégia para enfrentar o período desafiador. Algumas podem optar por férias coletivas, enquanto outras podem implementar layoffs ou buscar aquisições de grupos menores por empresas maiores.

Perosa reconheceu que a preocupação é generalizada e que a produção pode ser reduzida para evitar a oferta a preços não rentáveis. Ele mencionou que já houve demissões em algumas empresas e que a capacidade financeira das empresas influenciará suas decisões.

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Busca por novos mercados e perspectivas futuras

Na tentativa de diversificação, Perosa citou o Japão e a Coreia do Sul como mercados promissores que o Brasil ainda busca acessar. Ele também mencionou o Vietnã, que foi recentemente aberto, mas ainda está em fase de desenvolvimento. As vendas ao Vietnã devem totalizar entre 15 mil e 20 mil toneladas, um volume pequeno em comparação aos 3,5 milhões de toneladas exportados em 2025.

Resultados históricos e projeções para o futuro

Apesar do momento de incerteza, o Beef Report destacou que 2025 foi um ano histórico para o Brasil, que se tornou o maior produtor mundial de carne bovina, com 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça e um faturamento recorde de US$ 18 bilhões em exportações. A cadeia produtiva movimentou R$ 1,159 trilhão, representando cerca de 9% do PIB.

Para os próximos dez anos, a ABIEC projeta uma produção de 15,18 milhões de toneladas e exportações de 7,09 milhões de toneladas até 2035, um aumento de 56,5% em relação a 2025, impulsionado por ganhos de produtividade e pela abertura de novos mercados. Perosa afirmou que os números demonstram a viabilidade de produzir mais com eficiência, sustentabilidade e competitividade.

Fonte por: Jovem Pan

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