Resistência antimicrobiana: o alerta da UE sobre os riscos crescentes

União Europeia Suspende Importação de Carnes do Brasil
A União Europeia (UE) decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e animais para o bloco. A medida, publicada na terça-feira (12 de maio de 2026), foi motivada pela falta de garantias sanitárias adequadas relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. Essa decisão pode impactar as vendas brasileiras ao mercado europeu a partir de 3 de setembro.
O governo brasileiro e os produtores acreditam que o veto pode ser revertido. O país tem até setembro para ajustar os protocolos sanitários às novas exigências da UE e está em negociações para demonstrar conformidade com as normas sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Entendendo a Resistência Antimicrobiana
A UE enfatizou que nenhuma carne consumida no bloco pode ser produzida com antimicrobianos para fins de crescimento, mas apenas para tratamento veterinário específico. O uso excessivo desses medicamentos na criação de animais pode acelerar o surgimento de patógenos resistentes.
A resistência antimicrobiana ocorre quando bactérias, vírus, fungos e parasitas evoluem para sobreviver aos medicamentos destinados a eliminá-los. Em julho de 2022, a Comissão Europeia e os Estados-membros identificaram essa resistência como uma das três principais ameaças à saúde, defendendo ações coordenadas para fortalecer a prevenção e a resposta no bloco.
Estima-se que a resistência antimicrobiana cause cerca de 35 mil mortes anuais na Europa. Projeções indicam que, sem medidas rigorosas, esse fenômeno pode resultar em até 39 milhões de mortes em todo o mundo entre 2025 e 2050. A UE compara esse impacto à soma de mortes causadas pela gripe, tuberculose e HIV/Aids.
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A resistência antimicrobiana também é uma preocupação para a Organização Mundial da Saúde (OMS), que a classificou como uma das dez principais ameaças globais à saúde pública em 2023. Dados da OMS revelam que a resistência bacteriana foi diretamente responsável por 1,27 milhão de mortes em 2019, além de ter contribuído indiretamente para outros 4,95 milhões de óbitos.
A OMS alerta que o impacto é mais significativo em países de baixa e média renda, mas afeta sistemas de saúde globalmente. A resistência antimicrobiana eleva os custos hospitalares, prolonga internações e compromete a eficácia de procedimentos médicos, como cirurgias e tratamentos contra câncer. A entidade recomenda ações coordenadas entre governos e setores de saúde e agropecuária para reduzir o uso inadequado de antimicrobianos.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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